O Funeral
Nesta casa já existiu vida, a luz do sol já percorreu suas paredes e ecoavam risos de convivência e alegria em dividir o mesmo teto em comunhão.
Onde hoje as infiltrações e os fungos tomam conta, já viveram meus quadros, desenhos e espasmos de tinta ocasionais. Os vermes que preenchem o chão antes eram impensáveis, pois nem as formigas conseguiam habitar uma casa tão limpa e organizada. Flores de cemitério na porta decretam o que todos tentavam negar calando-se: a morte de uma família.
Zumbis circulam por seus espaços pisando nas merdas pelo chão, brigas entre cachorros sarnentos são comuns e geralmente um deles fica apodrecendo em pleno corredor atingindo as narinas com o odor ácido de sua decomposição. O único ser que parece morar lá com desenvoltura é uma gata branca como que guardiã do túmulo onde jaz a antiga feliz família. Ela atravessa os quartos, hoje com suas paredes quebradas e com plantas mal-cheirosas pelos cantos, com classe e um ar de filme de terror.
Agora toca a marcha fúnebre e toda a procissão segue o caixão tocando sua música para celebrar o renascimento:








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